Tudo o que nasce do karma desaparece quando esse karma acaba,
mas onde nasceu esse karma?
Donde surge a Primeira Causa?
Aí os pensamentos e as palavras são de pouca utilidade.
Perguntei a uma mulher idosa do ocidente sobre este tema
mas não gostou nada,
e o velho amigo do ocidente
fez uma careta e foi-se.
Escrevi o problema num bolo de arroz
e dei-o a uma cachorro
mas nem sequer ele lhe meteu o dente.
Percebendo que essas palavras dão azar,
misturei a vida e a morte num comprimido
e dei-o a uma caveira gasta pela chuva.
A caveira ergueu-se dum salto,
cantando e dançando para mim;
uma balada fascinante que abarcava o passado, o presente e o futuro,
uma dança maravilhosa que se divertia no reino do samsara.
A caveira cobriu tudo em absoluto.
Eu vi a lua a pôr-se em Chang’an e os seus sinos de meia noite!
(Ryôkan)