A Silvia Penas
Sentir a palavra na pele que não é pétala.
Reconhecer o limite e a união: o impulso
que move o impulso. O ponto infinitesimal
que cose o mapa ao território.
Uma leira, um baldio, um arame, um passado.
A placidez da sombra na intuição do intuito
que vem de outra pele, mas se projeta nesta.
Continuidade também é crosta de ferida.
O exílio é a só existência de algo alheio.
O nada, a condição de necessidade para a fronteira,
quando o vazio se enche de punhadas.
Mas o corpo não tem cercas de arame. Só limiares.
Por isso o descampado é carne e o tempo existe nela.
Também existe o ponto infinitesimal que cose
o antes e o depois. Eis a pele do exílio:
uma pessoa, um tempo e um espaço. Ela.
A razão de ser da palavra: calafrios e cãibras,
expor e ser membrana, esmiuçar o limite
como objecto. Ver-se na transparência.