Contrai-se o espaço
na matéria
e a matéria no verbo.
E no centro exato
do degradé, limite
de matéria e ideia,
existe só transparência,
linfa da palavra.
A poesia procura essa linha de vidro.
Mas a hipnose encarnada
navega nela
o dizer sem fronteiras,
água de ideias.
Depois, o tempo,
e volta a dissolver-se:
uma lâmina translúcida
molhada de imagens lateja
estouros de fonema,
submersos no mar
da palavra de vidro,
igual que a sensação
vibrante do mundo
na consciência.
E luz.