A Manuel López Rodríguez
A parálise do fantoche que os nanobots habitam não é causada pela queda inesperada da carga da bateria nem
pela ferrugem das dobradiças nas articulações mecânicas. Foi antes a focagem
da câmara ligada à nossa frente à máxima definição. A exatidão perfeita da retina em cada nanopíxel.
Tampouco é a marmelada causa
duma faísca solta que desencadeia o incêndio de pensar em alto. Nem
sequer os sonhos falam com a claridade da rede.
Os olhos buscam a luz com que os drones encadeiam a urbe.
O gosto de se sentir unidade em vez de zero. A sobrecarga
de nanobots de marmelada ingeridos com gosto.
A paralisia é consequência da tensão exata de todas as forças do desejo.
Escrevo-te da sombra
que o teu corpo projeta. Sou o selvagem que pisa o corpo das actínias.
Nesta felicidade estou só.
Quero pensar que existes.
Nanobots descarregam as histórias
que cada qual se conta. Para fazer sentido daquilo que o mundo escreve
reconstruindo outra vez a ideia base. Homeostase semântica.
O sentido é
o pensado.
Incluso a incoerência é
recursividade.
∞≈√𝛑.