Cada vez que lhe digo
o que tenciono fazer a seguir,
Layton solenemente inquire:
Leonard, tens certeza
que estás a fazer o incorreto?
Ilustração: retrato do poeta Irving Layton por Leonard Cohen. Original do texto e do desenho em Book of Longing, Penguin Poetry, 2007. ISBN. 978-0-141-02756-2 .
A Manuel López Rodríguez A parálise do fantoche que os nanobots habitam não é causada pela queda inesperada da carga da bateria nem pela ferrugem das dobradiças nas articulações mecânicas. Foi antes a focagem da câmara ligada à nossa frente à máxima… …
A Samuel Merino Se um lôstrego de luz atinge um corpo existe apenas vibração a retumbar nos nervos. Sem ter chegado a morte, já nem sequer o medo se apresenta vivo. Não há nem transparência nem opacidade nas luzes que o cinema projeta sobre o nevoeiro.… …
A Silvia Penas Sentir a palavra na pele que não é pétala. Reconhecer o limite e a união: o impulso que move o impulso. O ponto infinitesimal que cose o mapa ao território. Uma leira, um baldio, um arame, um passado. A placidez da sombra na intuição do… …
Contrai-se o espaço na matéria e a matéria no verbo. E no centro exato do degradé, limite de matéria e ideia, existe só transparência, linfa da palavra. A poesia procura essa linha de vidro. Mas a hipnose encarnada navega nela o dizer sem fronteiras,… …
Em solidão espreito a cara branca da geada. Não vai para nenhures, como eu não venho de nenhures. Tudo passado a ferro, plissado, sem uma ruga: a milagrosa planície que respira. O sol franzindo os olhos perante a pobreza engomada - a própria goma… …
Filhos do Tempo, hipócritas, os Dias, parvamente cobertos, como dervixes descalços, e marchando sozinhos numa fila infindável, apresentam diademas junto a feixes de lenha. Oferecem presentes consoante a vontade: pão, reinos, estrelas, o céu que abarca… …
espasmo no meio do nada alguma cousa o ruido de martelos ao longe ou a pressão do corpo contra a cama recordos a construir imagens ou desejos a memória a inventar passados que sempre foram ou não realidades o fundo do olho que não constrói mais… …
tinha uma rosa no peito e passeava nas suas mãos o peso das gaivotas suspensas na garroa do verão e tinha nos pés as asas da andorinha nas virilhas o vento que as narinas pariam fresco e leve porque tinha uma rosa no peito e teias de aranha como pele… …
se a história é aquilo que os livros guardam porque a memória não chega e se todas e todos nós carregamos a história que é nossa muito além da memória consciente e se a memória é seletiva e todo o mundo sabe que a memória é seletiva que nos esconde o… …