Ganjô-ji é a leste de Hokke-dô, um templo
isolado entre rochas e escondido por uma densa névoa.
No fundo vale, o musgo cresce desenfreado e poucas vezes se vê visita.
Os peixes dançam num estanque antigo.
Altos pinhos elevam-se até o céu azul
e entre eles avista-se um bocado do monte Yahiko.
Um dia brilhante de setembro, numa saída a pedir esmola,
tive um impulso e decidi bater à porta do templo.
Sou um vagabundo Zen de espírito livre
e o abade também tem muito tempo de sobra.
Estivemos juntos todo o dia, sem nada que nos preocupasse no mundo,
bebericando vinho, brindando às montanhas e rindo como parvos!
(Ry?kan)
Pleno verão -
passeio com o meu bastão,
os velhos lavradores veem-me
e convidam-me a beber com eles.
Sentamo-nos nos campos
e usamos folhas como pratos.
Agradavelmente bêbado e feliz
adormeço em paz
desparramado num banco de folhas de arroz.
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Que sorte! Achei uma moeda no meu bolso!
Agora posso chamar o meu amigo a que chamam o Dragão Dorminhoco.
Há séculos que quero beber com ele
mas faltavam-me os meios até agora.
(Ryôkan)
A noite avança para o amanhecer.
O orvalho pinga do bambu à minha porta de palha.
O meu vizinho do oeste deixou de bater na argamassa.
O jardim da minha ermida cresce humidamente
enquanto as rãs coaxam perto e longe
e os vaga-lumes rodopiam acima e abaixo.
Totalmente acordado, não é possível dormir esta noite.
Aliso a minha almofada e deixo que os meus pensamentos corram.
(Ryôkan)