Este é o corpo real.
A nuvem louca.
A sensação eterna de queda
haja ou não haja queda.
O fluxo cego que gravita em torno à gorja.
Este é o corpo real
e do real.
O remoinho
de sensações em torno ao estômago.
Estômago o centro do mundo
digerindo
pedras nas tripas.
A segurança
do ar.
O vento.
Depois de superar cansaços e percorrer quilómetros
toco o sino de dharma para o ar vazio.
Só a estátua do Buda se sentou comigo
e me acompanha a respirar as dores.
(...)
Pernas de madeira a chiar na noite do cérebro.
Saltar ao outro lado do alento.
Respirar com as árvores de Luz Serena.